© 2017 por Ana Kucera

Mediador: o maestro

Quando estamos vivenciando um conflito, muitas vezes encontramos apoio naqueles em quem confiamos, sejam amigos ou parentes. Suas opiniões são muito importantes e funcionam como que avalistas de nossas decisões. As vozes desta rede de apoio compõem a grande sinfonia que toca em nossas mentes. Assim, quando expomos nossas ideias, pontos de vista, interesses e posições, estamos cantando uma música cuja autoria é parcialmente nossa. E quem não tem um ouvido apurado, não consegue distinguir todas as vozes que participam da música e atribuem àquele que canta a sua composição.

 

O mediador, assim como um maestro, ajuda a organizar essa grande sinfonia, distingue essas vozes, coloca-as no tom certo e afinado para que juntas façam uma bela música. Desta forma, precisa considerar todas as vozes importantes, sem descartá-las, convidando-as a participar da música harmonicamente.

 

Essa conhecida metáfora me faz lembrar a história de Luiza e Fernando, jovem casal que, em virtude de uma gravidez não planejada, resolveu morar junto na casa de Dona Maria, mãe da moça.

 

E como já dizia o ditado “quem casa quer casa”, em pouco tempo, desentendimentos entre o casal e Dona Maria começaram a aparecer.

 

Luiza e Fernando se separaram quando Joaquim tinha um ano de idade e logo surgiram conflitos ligados à convivência do menino com seu pai. Fernando procurou assessoria jurídica para resolver o problema e foi encaminhado à mediação pela natureza de seu caso.

 

Fernando nos contou que o motivo dos desentendimentos entre ele e Luiza devia-se às intromissões de Dona Maria na vida dos dois, o que, na sua opinião, fez culminar na separação do casal.

 

Luiza, por sua vez, teve muitas dificuldades de distinguir as vozes que compunham seus pontos de vista, mas reconhecia que a mãe era uma figura muito importante em sua vida.

 

Depois de algumas reuniões, Luiza e Fernando nos disseram que tinham se reconciliado mas precisavam comunicar isso a Dona Maria porque, afinal, já compreendiam que a sua voz compunha o coral que formavam juntos. Luiza precisava do aval de sua mãe e Fernando precisava dizer a Dona Maria o quanto a sua voz tocava notas às vezes estridentes caso não fossem cantadas com cuidado. Queriam nossa ajuda para isso.

 

Dona Maria foi convidada então a participar da mediação e a equipe, naquele momento, pôde novamente assumir o papel de maestro, o grande intermediário entre os compositores e os músicos que os ajuda a tocarem a música que se esconde por trás das notas. E assim, após o encerramento da mediação, os três puderam sair afinados na intenção de continuarem tocando a linda música que criaram. 

 

 

 

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