Casa de ferreiro, espeto de pau

As pessoas quando começam a estudar Mediação costumam se apaixonar pelo instituto e levar os ensinamentos para a sua vida pessoal e profissional, além de tentar convencer os outros desta sua nova paixão.

 

E isso não é difícil de entender, pois a Mediação, possibilita que os cidadãos se tornem capazes de solucionar seus próprios conflitos, que existem e sempre vão existir, de uma forma pacífica, com conversa, colaboração, observando todas as particularidades da questão e das pessoas envolvidas, e que ao final se chegue a um consenso construído por ambas as partes observando seus reais interesses, necessidades e possibilidades, sem a intervenção de um terceiro estranho àquela relação, com a imposição de uma decisão arbitrária que muitas vezes não atende a nenhuma das partes.

 

Assim a mediação traz uma sensação de justiça, de satisfação, evitando o retorno ao Judiciário, contribuindo assim para a tão almejada pacificação social, o que coaduna com o pensamento dos cidadãos acerca da sociedade que queremos deixar para os nossos filhos, ou seja, uma sociedade em que se pense na solução e não no litígio.

 

Me lembro muito de um aluno, advogado, que no primeiro dia de aula, quando eu perguntei, um a um, qual era o seu objetivo com aquele curso, me disse que estava ali “apenas para conhecer essa tal de mediação”, mas que com certeza ele “não dava para isso não”.

 

E hoje em dia, esse aluno está terminando a sua formação e capacitação como Mediador.

 

E isso também é muito fácil de entender, pois o que mais temos hoje em dia são advogados angustiados por não sentirem que estão atendendo a seus clientes efetivamente, já que o nosso Judiciário se encontra em crise, seja pela sua superlotação, morosidade, quantidade de medidas burocráticas e protelatórias e/ou falta de efetividade e adequação de suas soluções.

 

Assim, a mediação, como outros métodos adequados de solução de conflitos, se torna mais uma opção a ser oferecida pelos advogados aos seus clientes, por ser um método adequado, efetivo, rápido e barato de solução de conflitos.

 

Bem, vocês devem estar pensando que basta começar a estudar mediação, aprender todas as técnicas e ferramentas utilizadas, levar todos os ensinamentos aprendidos para sua vida pessoal, que todos os seus problemas estarão resolvidos!

E que todos os mediadores têm uma vida equilibrada, tranquila e pacífica.

 

Acreditem, não!

 

Claro que as ferramentas, as técnicas e vários ensinamentos da mediação conseguimos levar para a nossa vida pessoal e profissional.

 

Mas eu comecei a ficar angustiada porque me percebi não conseguindo utilizar todos esses ensinamentos na minha vida, principalmente pessoal, em algumas situações.

 

E foi quando descobri alguns estudos que indicavam que os sentimentos atrapalham, nos cegam, nos afastam da objetividade que é a nossa capacidade de julgar racionalmente.

 

Por isso que às vezes na nossa vida pessoal fica mais difícil.

 

E faz parte da natureza humana fechar os olhos (e as mentes) para coisas que sejam desconfortáveis ou perturbadoras.

Amor, amizade, desprezo, ódio, medo, instinto de defesa, preconceitos... Esses sentimentos tendem a comprometer a nossa objetividade.

 

E o primeiro passo é reconhecer isso. Assim nos impedimos de continuar.

 

E sabendo disso fiquei mais tranquilizada, além de me ajudar a ficar mais atenta para essas “pegadinhas” da vida.

 

 

 

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© 2017 por Ana Kucera