© 2017 por Ana Kucera

Procurando Nemo: um sujeito de direitos

10/03/2017

Nemo é o peixinho de um filme que sensibilizou a todos pela sua necessidade de proteção e, ao mesmo tempo, seu desejo de liberdade.

 

Filho de Marlin, cujo passado é impregnado de memórias tristes pela perda da esposa e de toda a ninhada nos recifes de coral, Nemo é criado com todo o cuidado. Mas o simpático peixe-palhaço, exagerando durante uma discussão, acaba sendo capturado por um mergulhador. O pai, super-protetor, inicia uma busca incansável mar adentro na expectativa de encontrar o amado filhote. Nemo, por sua vez, vive intensas experiências junto com os novos amigos que habitam o aquário para onde foi levado e dos quais recebe ajuda para escapar de Darla, a terrível sobrinha do seu capturador.

 

Quando a temática envolve crianças e adolescentes, há uma preocupação recorrente: como equilibrar as tensões entre liberdade e proteção, tutela e autonomia? Boas respostas a estas questões incluem reflexões sobre a necessidade de escuta e de consideração, bem como a demanda por alguém que se responsabilize, dê apoio e exerça um papel de proteção.

 

O diálogo é um potente recurso para auxiliar os processos de desconstrução, transformação e ou resolução dos conflitos. Possibilita maior clareza quanto aos interesses e necessidades de todos e quanto aos dilemas e tensões acerca do modo como se pode conciliar proteção e liberdade, tutela e autonomia.

 

Simone e Rafaela, mãe e filha, estavam vivendo um severo conflito e puderam experimentar a sensação de compreensão mútua quando participaram de uma Mediação.

 

A dinâmica se desenhou consoante a metodologia dos cinco painéis: oferta e coleta de informações, compreensão da dinâmica da Mediação e das motivações da adesão; identificação dos pontos de vista a partir das narrativas e cartografia do conflito com identificação da rede de inserção e das interações estabelecidas; ampliação das percepções quanto as articulações da rede e a lógica que move seus atores e orienta as suas ações; identificação da forma de viabilizar a desconstrução, transformação ou resolução do conflito e, a elaboração de um acordo, temporário ou permanente, total ou parcial, quando possível.

 

Simone se dizia destruída por passar as noites em claro aguardando a filha que frequentemente sai com amigos. Afirmava que Rafaela não retornava a casa no horário combinado e que impedia qualquer tentativa de contato. Afirmava que era tomada por pensamentos e sentimentos ruins e, por isso, quando a jovem adentra a casa, ela perde o controle e as duas brigaram.

 

Rafaela comentava que se sentia sufocada pela mãe. Que a mãe queria controlar a sua vida e ela odiava isso. Que queria sair com os amigos, se divertir e não ter que ficar dando satisfação, mas que a mãe estava sempre no seu pé, controlando seus passos e dando ordens. Para evitar desgastes Rafaela dizia manter o celular desligado.

 

Convidadas a pensar sobre os seus reais interesses e necessidades, Simone se deu conta de que precisava saber de sua filha em segurança. Rafaela, por sua vez, percebeu que era importante poder agir com autonomia, liberdade e participação no grupo de amigos.

 

Ante a clareza dos propósitos Simone, afirmou para a filha que entendia a sua necessidade de lazer, liberdade e participação e pediu que juntas encontrassem uma forma de ela saber que a filha estava bem.

 

Rafaela compreendeu que não se tratava de controle, mas de proteção, não estar submetida à tutela, mas sim à autonomia desde que em segurança. Uma vez ciente de seus interesses e necessidades, Rafaela se comprometeu a manter o celular ligado ou fazer contato quando estivesse sem conexão.

 

Nessas bases foram construídas as novas dinâmicas de convivência, sem tensões entre proteção e liberdade, tutela e autonomia.

 

 Imagem por Shutterstock

 

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