A importância da empatia

 

 

A empatia é a habilidade de se colocar no lugar do outro e ver o mundo através das suas lentes. Para isso, é necessário colocar os óculos do outro para compreender o mundo como ele o vê. Por este motivo é que se diz que não existem verdades, mas sim, versões sobre o mesmo fato e que mapas não são territórios. O mapa, então, seria as nossas percepções e o território o fato sem interpretações. Ou seja, o mapa seria uma representação da realidade (território) que para alguns psicanalistas, significa inclusive a verdadeira e única realidade do indivíduo, a chamada realidade psíquica.

 

Às vezes um conflito surge de percepções distintas sobre a mesma realidade (fato). O que acreditamos, pensamos, sentimos, são nossas verdadeiras realidades, mesmo que aos olhos dos outros pareçam devaneios, loucuras, maldade, egoísmo, orgulho, inveja, ciúme.  Podem até ser, mas são sentimentos e emoções causados por muitos motivos. E é necessário compreendermos os mecanismos que levam alguém a pensar, sentir, agir da forma que ela pensa, sente e age.

Ter a consciência de que a verdadeira realidade é aquela que existe dentro de cada um é o primeiro passo para compreender o mundo por meio da percepção do outro. Não é concordar com o outro, é entendê-lo.

Mas não é fácil. Primeiro, é preciso ter disponibilidade para isso. A empatia é uma habilidade que deve ser desenvolvida, aprendida. Tem pessoas que já possuem essa habilidade apurada, outras precisam que seja lapidada. Acredito que a maioria das pessoas possui o germe da empatia, porque minimamente desejam que os outros a compreendam. A partir do “eu”, é possível chegar no “outro” É aquela velha regra de ouro: “faça aos outros aquilo que gostaria que fizessem com você”. Mas a própria regra de ouro não é suficiente para estimular propriamente a empatia porque às vezes o que eu desejo para mim pode não ser bom para o outro. Mas é um começo: se quero que os outros me compreendam, eu preciso compreendê-los também.

A empatia da mesma forma pode ser estimulada por meio da escuta ativa. É necessário não só ouvir mas compreender o outro. Ouvir com ouvidos de ouvir. Quando estamos em conflito, é comum ouvirmos para revidar e não para compreender. Uma escuta qualificada ajuda na compreensão das percepções da realidade do outro, o que permite nos colocarmos no lugar do outro por meio da pergunta: se nós fossemos o outro, como agiríamos em seu lugar?

De qualquer forma, é preciso estar disposto a uma atitude empática, porque ela exige que saiamos da comodidade de vítimas, de injustiçados, de coitados. É perceber o mundo longe de uma visão binária das coisas. Não há somente certo, nem somente errado, não há somente bom nem somente mau, não há somente territórios e sim muitos mapas. Não há verdades, e sim versões.

 

Mas o que a empatia tem a ver com a mediação? Tudo. Posso afirmar que se as pessoas não estiverem dispostas a ser empáticas uma com a outra, a mediação será infrutífera. Um dos objetivos da mediação é a busca por soluções de benefício-mútuo. Um acordo só é bom se for benéfico para todas as pessoas envolvidas no conflito. Como a solução deve ser construída pelos próprios participantes da mediação, se eles não tiverem disponibilidade para se colocar no lugar do outro, não conseguirão um acordo que beneficie a todos e provavelmente cairão na armadilha da barganha e das concessões.

A empatia é uma das habilidades mais importantes nos processos colaborativos e o seu estímulo deve ser prioritário, sem a qual não será possível a construção de consenso nem a solução de conflitos por meio do diálogo.

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© 2017 por Ana Kucera