Um certo dia, numa conversa com um amigo, este me trouxe uma ideia que muito me fez refletir e que virou pauta de outras conversas nossas, bem como de reflexões e, como não podia deixar de ser, de sua conexão com a mediação.

 

Falamos sobre a ideia de que "só gastamos energia na medida da necessidade". Humm.. meio óbvio, né?

 

Pois é, mas essa ideia, aparentemente muito básica, na verdade não é muito observada, mas se aplica a qualquer situação vivida pelas pessoas (na verdade se aplica a qualquer coisa viva, se você parar para observar) e tem como origem o fato de que, na natureza, a energia disponível é, como sabemos, escassa. Daí "coisas" vivas - e dependentes de energia - precisam cuidar para gastar somente o necessário. Esse "hábito" histórico nos acompanha em todas as nossas ações e, observada como uma "lei natural", nos faz entender o porquê de nossas atitudes seja a nível individual ou mesmo em grupo de indivíduos.

 

Na atividade da mediação lidamos com seres humanos, interesses e emoções e certamente a energia despendida por cada "ator" em cada processo pode ser percebida por esse viés.

 

Assim, para uma mediação eficaz é de suma importância entender todo o contexto conflitivo daquele caso, o legado que cada mediando traz, os reais interesses envolvidos naquela questão, o background das duas pessoas, o momento de cada pessoa e a real necessidade de cada um naquela disputa - pelo ponto de vista da energia (vontade!) que cada um coloca na resolução do problema.

 

E desta forma, será possível auxiliar os mediandos a voltar a sua energia para a resolução daquela questão trazida e conduzir uma mediação de forma mais favorável aos interesses envolvidos.

 

A mediação é um procedimento estruturado, que tem fases.

 

Por esta razão, primeiro é preciso compreender as perspectivas de cada um, entender os fatos e as expectativas do outro.

 

Após isso é necessário descobrir quais são as barreiras existentes, quais as possibilidades cabíveis, para depois então trabalhar cada ponto e ao final, construir uma solução.

 

Ressaltando-se que não é um processo que se vai chegar e receber um acordo pronto, mas sim que todos os envolvidos precisam trabalhar conjuntamente na construção de uma solução.

 

E neste tocante, vale lembrar que mesmo que não se chegue a um acordo propriamente dito, no pior cenário terá sido possível que as partes tenham tido a oportunidade de se escutar, de se colocar no lugar do outro e até mesmo de se restabelecer a comunicação, ainda que minimamente.

 

E na mediação temos esse tempo e estrutura para conseguir entender melhor quais são os interesses por trás daquela posição, quais são as reais necessidades, as emoções ali envolvidas, qual é todo o histórico daquela situação e com isso, as pessoas conseguem se envolver mais, canalizar mais energia nesse procedimento e ter mais vontade na resolução daquela questão.

 

E estudos indicam que se a solução é construída por ambas as partes, a sensação de justiça é muito maior do que a de uma sentença judicial por exemplo, e com isso, o acordo é cumprido sem retorno ao Judiciário com novas demandas judiciais.

 

E essa ideia podemos levar para a vida, pois se conseguirmos melhor entender as motivações ligadas a determinada questão, mais nos envolvemos, mais energia canalizamos para aquela situação e mais vontade temos naquela questão.

 

*Andre Pessoa é Digital Mkt na Oracle e sócio na Pomar To Go em Ipanema

 

 

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