A parede que separa pode unir: sugestão de caso para prática simulada de mediação de conflitos

 

Nos cursos de capacitação em Mediação de Conflitos, os alunos são convidados a começar o módulo prático por meio de simulações, a fim de prepará-los para as mediações de casos reais. A prática simulada é supervisionada por um mediador já experiente, que pode ou não participar da simulação no papel de uma das partes. A intenção é fazer com que o aluno não só vivencie a experiência de mediar um caso no papel de mediador, como também represente os mais variados personagens, dos quais assumirá necessidades, interesses e posições dentro de um determinado contexto colocado.

 

A atividade permite que o futuro mediador compreenda principalmente o lado de cada parte dentro do conflito, e que a predisposição para o acordo nem sempre é algo simples ou fácil de encontrar em pessoas que estão vivenciando um conflito às vezes cheio de pautas subjetivas. A experiência será rica para o aluno que poderá, ao fim da simulação, compartilhar sentimentos e dificuldades que vivenciou ao representar o mediador ou qualquer das partes envolvidas no conflito. A atividade também é rica para aqueles que observam a simulação porque poderão compartilhar com aqueles que dela participaram suas opiniões sobre as atuações, sobre a pertinência das ferramentas usadas pelos mediadores e sobre a observância dos princípios da mediação durante toda a prática.

 

Sugerimos assim um caso envolvendo duas pessoas e suas redes de pertinência que poderão vir a ser chamadas a participar da mediação.  Acreditamos que o caso renderá ótimas simulações e permitirá muitas atuações e desfechos diferentes. Assim, poderemos contribuir mais um pouco com a formação de futuros mediadores. 

 

O CASO

 

Nos autos da ação de divórcio de ROBERTO e MARILDA, ficou acordado que o único bem do casal, uma casa, seria partilhado em partes iguais entre os ex-consortes. A casa era muito grande e nenhum dos dois queria vendê-la, muito menos alugá-la. Para resolver a situação da co-propriedade, resolveram dividir as dependências do imóvel por meio da construção de uma parede.

 

Durante um ano, ROBERTO morou de um lado da casa e MARILDA do outro, até o dia em que ROBERTO resolveu se mudar para a casa de ROSÂNGELA, sua namorada.

 

Como ROBERTO não voltou mais para a antiga casa, deixando-a vazia por alguns meses, MARILDA destruiu a parede que dividia o imóvel, ficando com a casa inteira para ela.

 

À época, ROBERTO não queria briga com MARILDA e não se opôs a que ela ficasse com a casa inteira, uma vez que não tinha pretensão de voltar a morar lá.

 

Passados 2 anos, ROBERTO agora deseja voltar a morar nas dependências que lhe foram reservadas na partilha, pois ele e ROSÂNGELA moram de aluguel e ambos estão desempregados. Seu desejo é poder levar ROSÂNGELA também.

 

Quando ROBERTO pediu a MARILDA para que levantasse a antiga parede porque ele desejava morar lá com ROSÂNGELA, sua ex-mulher reagiu muito mal. MARILDA achou um absurdo o seu pedido, pois que durante todo esse tempo, pagou sozinha todos os impostos da casa. Ademais, para ela, seria humilhante morar ao lado de ROSÂNGELA, pois que atribuía à atual companheira de ROBERTO o fim de seu casamento.

 

O conflito se intensificou quando os filhos de MARILDA E ROBERTO começaram a intervir:

 

- MÔNICA, com 35 anos, é casada e mora no terreno da casa objeto do conflito. MÔNICA defende a posição da mãe, pois acha um absurdo ter que conviver com ROSÂNGELA no mesmo espaço, já que ela teria sido o pivô da separação dos seus pais.

 

- MARCOS, com 34 anos, é casado e mora nas redondezas da casa objeto do conflito. Não quer se meter no conflito dos pais mas acha que a mãe está exagerando e por mais de uma vez discutiu com ela

 

- ADRIANA, com 31 anos, é casada e mora no 2º andar da casa objeto do conflito. Quer apenas que os pais se entendam e tem tentado, sem sucesso, intermediar algum acordo entre eles.

 

ROBERTO procurou ajuda na associação de moradores da região, que o encaminhou para uma Câmara de Mediação conveniada.

 

 

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© 2017 por Ana Kucera