Mediação Familiar com Idosos

05/31/2019

 

 


A população de idosos no nosso país vem aumentando consideravelmente. Em 2000 os maiores de 65 anos representavam 5% da população, e a previsão é de que em 2050 esse número suba para 18%.

 

O envelhecer é uma etapa esperada do ciclo de vida e que demanda adaptações e reorganizações familiares. Envelhecer bem está diretamente ligado ao grau de preservação da capacidade funcional de cada pessoa. As mudanças biológicas, familiares, sociais e profissionais podem ser diversas. Com frequência surgem necessidades, incapacidades, assim como doenças físicas e/ou mentais. O Alzheimer tem acometido de forma assustadora muitos desses idosos.

 

É frequente que o idoso necessite que uma terceira pessoa gerencie sua vida, envolvendo aqui cuidados diretos e indiretos. Neste cenário, inúmeros são os conflitos que podem surgir nessa fase envolvendo questões de moradia, cuidados físicos e de saúde, manutenção financeira, tratamentos, testamentos, entre outros.

 

A Mediação, como contexto de diálogo e possibilidade de resolução dos conflitos envolvendo os cuidados com os idosos tem sua aplicabilidade em evidencia. Ela facilita a comunicação, auxilia a compreensão das diferenças que existem entre as gerações e melhora a qualidade das relações. A prática demonstra que a comunicação e as relações familiares melhoram significativamente durante um processo de Mediação. A pauta de como querem se reorganizar para o futuro é tema comum.

 

A Mediação pode ocorrer durante o curso de um processo judicial ou de forma extrajudicial. Pode incluir ou não o idoso, dependendo do tema e de suas condições de saúde e mentais.

 

Para exemplificar gostaria de trazer duas situações das quais participei recentemente:

 

Um dos casos chegou devido ao conflito entre dois irmãos e uma irmã, cujo pai estava internado há um mês, no CTI de um hospital, em uma situação grave. Os irmãos não acreditavam na melhora do quadro de saúde do pai e não queriam autorizar nenhum procedimento que prolongasse a sua vida, sem a perspectiva de reversão do quadro. A irmã, por sua vez, queria seguir todas as recomendações do médico assistente, no sentido de prolongar a vida do pai, “e se um milagre acontecer”?

 

Durante a Mediação os irmãos acordaram com o agendamento de uma consulta com a equipe de cuidados paliativos do hospital e, após essa reunião e muitas reflexões, fizeram um acordo acolhendo as necessidades dos três.

 

O segundo caso envolveu 9 irmãos, filhos de uma mãe com 90 anos, que vivia acamada após dois AVCs (acidente vascular cerebral). Antes dos AVCs a idosa morava em sua casa em Macaé, cidade onde 3 dos irmãos também residiam. Após o segundo AVC e, por não terem conseguido atendimento para a mãe no hospital da cidade, 2 dos irmãos que residem no Rio de Janeiro trouxeram a mãe para tratamento nesta cidade.

 

O conflito deste caso incluiu diversos temas. Um era a divergência entre os irmãos relacionada com a moradia da mãe; parte queria que ela voltasse para sua casa em Macaé e, a outra parte, queria alugar um apartamento para que ela ficasse no Rio, em função dos tratamentos de saúde necessários. Existia também o tema de que a irmã com maior disponibilidade de tempo para os cuidados com a mãe residia no Rio, então como se organizarem em função das possibilidades de tempo de todos. E o terceiro item polêmico envolvia a questão financeira, já que uma parte dos irmãos não poderia arcar com os gastos da moradia da mãe no Rio.

 

Durante 6 reuniões de Mediação os irmãos puderam acordar com a moradia da mãe no Rio, e que a manutenção financeira desta nova realidade seria dividida entre todos, mas respeitando-se a possibilidade de cada um. Também fizeram um sistema de rodízio e visitas de forma a que todos tivessem contato com a mãe. A irmã com maior disponibilidade de tempo se responsabilizou com a coordenação do dia-a-dia da casa e dos cuidados com a mãe. E ainda decidiram pelo aluguel da casa de Macaé para auxiliar com as despesas no Rio de Janeiro.

 

Nos dois casos a Mediação mostrou-se instrumento adequado para a solução dos conflitos em questão e o restauro da comunicação e relações entre os irmãos. 

 

Tags: contexto de diálogo, cuidados com os idosos, compreensão das diferenças, qualidade das relações, comunicação, relações familiares, reorganizar para o futuro.

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© 2017 por Ana Kucera