MEDIANDO MEDIADORES?! UM BREVE RELATO SOBRE A IMPORTÂNCIA DO AUTOCONHECIMENTO

Era uma tarde muito chuvosa, ainda assim, adentram pontualmente em minha sala para uma primeira sessão de mediação, quatro pessoas, duas partes acompanhadas de seus advogados.

 

Apresentei-me como a mediadora que fora designada para estar com eles durante este tempo, caso não vissem nenhum impedimento, e logo, as partes e seus advogados também se apresentam e confirmaram que podemos prosseguir. Ressalto-lhes sobre a extrema importância da presença dos advogados, apresento a mediação explicando sobre suas regras e princípios e nossos próximos passos.

 

Os advogados agradecem e me dizem que já participaram de outras mediações e logo se colocam à disposição para iniciarem com seus relatos, pois assim fora tratado com seus clientes em conversa anterior ao início desta mediação. Nesse instante uma das partes, a Sra. A. revela:

 

Doutor C, obrigada, sei que combinamos de falarem nesse momento, mas é que minha consciência pesou agora, acho que eu ou ele (o Sr. B) podemos iniciar falando o porquê de estarmos aqui, acho que damos conta porque temos formação em mediação e sabemos bem o que poderá ocorrer aqui.

 

Neste momento, o advogado da Sra. A, valida sua fala olhando e gesticulando positivamente. O Sr. B, que neste momento, não olha para a Sra. A, cruza os braços e abaixa a cabeça, seu advogado (Dr. D) pergunta se está tudo bem, ele diz que sem problemas.

 

Logo, a Sra. A com a voz trêmula, inicia seu relato dizendo que foi casada com o Sr. B durante 23 anos e que possuem três filhos, mas que ela saiu da casa em que viviam juntos, levando seus três filhos, há seis meses. Que ele apesar de sempre estar em dia com as obrigações do lar, de nunca ter atrasado um compromisso financeiro, de ser um Empresário muito trabalhador, se tornou uma pessoa muito autoritária, agressiva, estúpida e controladora com ela e com os filhos, e que ela infelizmente não aguentou mais essa vida, onde ela se esqueceu de quem era.

 

Ela dizia que queria resolver com ele definitivamente sobre como ficaria dali pra frente a convivência dele com os filhos, a pensão alimentícia, a divisão dos bens e a Empresa que construíram juntos na constância desse casamento.

 

Finalizada sua fala, eu a agradeci e perguntei se naquele momento gostaria de trazer mais alguma coisa. Disse-me que era só isso.

 

Passo a palavra para o Sr. B que trouxe a fala de que de fato nunca deixou faltar nada em sua casa durante esses 23 anos em que estiveram casados e que suou muito a camisa para que seus filhos sempre estudassem nos melhores colégios e fizessem os melhores cursos e demais atividades, seja inglês, futebol ou ballet. Ainda, trouxe em tom de deboche, que se naquele dia a Sra. A estava sentada na frente dele toda bem produzida e maquiada, ela devia isso a ele, pois essa é a função do homem, suprir a casa, mas que mesmo assim eram todos uns ingratos e o desrespeitavam constantemente.

 

Acrescenta, dizendo que esta Empresa que ela cita, não fora construída por ambos na constância do casamento e sim que ele a construiu com o dinheiro do trabalho dele e deu para que ela administrasse, pois ele tem outros negócios em que precisa estar à frente.

 

Terminada sua fala, eu o agradeci e perguntei se naquele momento gostaria de complementar com mais alguma questão. Ele me disse que no momento era só isso e como a Sra. A mesmo disse, ele também é um mediador e sabe bem o que virá.

 

Pergunto aos advogados se gostariam de trazer algo e me dizem que está tudo bem e caso necessitarem pedirão a palavra.

 

Retorno então, resumindo as falas de ambos, contextualizando em sentindo cronológico tudo o que foi dito até aquele momento pelos dois. Ressalto aspectos em comum nas falas, pergunto-lhes se estou entendendo bem e se eu estiver me esquecido ou entendido algo equivocadamente, que me auxiliem e me corrijam. Além disso, digo sobre a importância do respeito no diálogo para o bom andamento das sessões.

 

Neste momento o Sr. B me diz: Nossa que coisa mais esquisita ser um mediador e ter que passar por isso, dá uma vergonha Sabrina... Eu sei o que você está fazendo, que técnica está aplicando agora. Muito esquisito, a gente acha que se conhece e que pode sempre resolver nossas coisas sozinhos.

 

Mais que depressa a Sra. A rebate: Que humilhação não é mesmo?! Percebe aonde nós chegamos? Achamos que aprendemos as coisas, mas só sabemos se aprendemos quando de fato conseguimos praticá-las. A gente até se cansa de falar e de ouvir, mas a gente mesmo não faz!

 

Após acolher suas falas, digo que somos seres humanos em constante aprendizado, que reconhecer nossos aspectos sejam positivos ou não, faz parte dessa experiência e que naquele momento seria importante que entendessem que ali, eles estavam nos papéis de mediandos e não de mediadores. Então checo novamente se desejam continuar com a mediação e me dizem que sim.

 

Prosseguindo então com o andamento da sessão, e analisando conjuntamente com as partes e seus advogados, ficou definida a seguinte ordem de prioridade para a agenda de trabalho na mediação: Guarda e convivência; Alimentos; Partilha de bens e o futuro de uma Empresa que possuíam em sociedade.

 

Sobre o tipo de guarda e a convivência: As partes iniciaram a discussão tentando negociar sobre a guarda compartilhada, logo surgem dúvidas sobre os tipos de guardas e os advogados as esclarecem prontamente. Decidiram-se por guarda compartilhada. Com relação à convivência, tentaram negociar, mas não se chegava a um denominador comum neste momento.

 

O Sr. B nesse momento se exalta e com a voz alta bate na mesa e diz novamente que se sentia desrespeitado pela Sra. A, e consequentemente pelos filhos, principalmente pelos dois mais velhos de 15 e 17 anos e logo começou a culpar a Sra. A de sempre mimá-los e que ele era sempre o vilão da história, dizia que com a filha mais nova isso ainda não acontecia. Dizia também que durante esse tempo de seis meses em que estavam separados e em que iam a sua casa, que comprava do bom e do melhor, mas que nunca sentiu que teve a atenção e reconhecimento dos filhos, que tinha que praticamente implorar por atenção.

 

Diante disso, a Sra. A começa a chorar e diz que não vai passar por essa humilhação e pede que ele não grite com ela, e que também, por isso que ela saiu de casa, porque ele é um imbecil.

 

Nesse contexto, faço uma intervenção ressaltando a importância de uma escuta ativa que seja respeitosa, de observarem o tempo de fala de cada um, falo sobre a importância da qualidade do diálogo para os papéis de pais, e resumo as falas de ambos. Relembro sobre as regras da mediação, e converso sobre a importância da utilização da Comunicação Não-Violenta (CNV) para o procedimento das sessões de mediação. Conversamos também sobre a importância do reconhecimento.

 

Diante desse cenário, o Sr. B se retrata com todos por ter se exaltado, e com o avançar da hora, caminhamos para o encerramento desta primeira sessão com o combinado entre ambos de pensarem melhor sobre a convivência e de trazerem seus apontamentos com relação aos alimentos, discriminados. O Sr. B, faz o pedido de ser ouvido em caucus, antes da próxima sessão conjunta, e desse modo, acordamos de eu ouvir também em sessão individual a Sra. A, logo após estar com o Sr. B, e então após, realizamos a segunda sessão conjunta.

 

Após uma semana, o Sr. B retorna sozinho para iniciarmos a sessão privada. Cumprimentamos-nos e iniciada a mediação, relembro algumas regras do procedimento e ressalto que, todas as informações trazidas naquela sessão eram abrangidas também pelo principio da confidencialidade.

 

Assim, inicia sua fala gaguejando muito e me dizendo que gostaria de conversar individualmente, pois tinha um segredo muito sério para revelar e precisava de minha ajuda. Digo que estou ali para ouvir com toda a atenção o que achar necessário que eu saiba. Prossegue: Apesar de eu ser um cara que nunca deixou faltar nada, nunca me senti valorizado por tudo que eu fiz pela minha família, sou julgado e condenando o tempo todo por eles.

 

 

Continuo ouvindo. Eu sou bissexual desde nem sei quando na minha vida, e tenho certeza de que eles nunca desconfiariam disso...

 

Daí começa a chorar, e me pede ajuda, pois diz sente que precisa contar isso para todos e se livrar desse peso.

 

Eu me levanto, dou-lhe um copo de água e lenços e após o tempo do choro, ele se acalma um pouco, e iniciamos uma conversa sobre a história de seu casamento, como vieram os filhos, elogiava a Sra. A como sendo sempre uma boa mãe, e como era a convivência até o ponto em que ele considerou que foi o divisor de águas e que havia algo de muito errado.

 

Acolho suas falas, e aplico também a técnica da inversão de papéis e testes de realidade.

 

Dessa forma, após ouvi-lo durante um tempo ele se levanta da cadeira e diz: Não tem jeito mesmo Sabrina! Eu preciso colocar as cartas na mesa, estou morrendo aos poucos com isso travado na garganta. Eles precisam me enxergar como eu sou e me respeitar assim mesmo!

 

Prossegue: Já fiz terapia, também, mas eu tenho que dar um jeito, às vezes eu acho que é uma situação minha comigo mesmo. Final de semana agora é aniversário de oito da nossa menina, vamos comemorar em um salão de festas para que todos possam ir. Estou muito feliz por isso, mas até sair essa festa brigamos demais. Aí eu penso: Precisava de tanta discussão?! Ai, eu pergunto: Você me diz, o que você acha, precisava de tanta discussão?

 

O Sr. B, abre os braços e sorri dizendo: Não, a gente que complica demais, tanta coisa podia ter sido de outra forma, mas enfim, foi o jeito que nós demos conta. Estamos todos doidos!

 

Então, me disse que estava disposto a tentar conversar sobre tal questão ali na mediação mesmo, pois entendeu que seria um ambiente de oportunidade. Saindo da sala me agradeceu e disse que estava se sentindo encorajado. Solicitou-me que mantivéssemos em sigilo tudo que foi conversado nesta sessão.

 

A Sra. A, algumas horas depois, também retorna sozinha para iniciarmos sua sessão privada. Cumprimentamos-nos e iniciada a mediação, relembro algumas regras do procedimento e ressalto que, todas as informações trazidas naquela sessão eram abrangidas também pelo principio da confidencialidade.

 

Nesse contexto, inicia sua fala dizendo que o Sr. B era um cara com um senso de humor incrível, mas que ao longo dos anos tornou-se insuportável, e que nem as crianças estão aguentando ficar perto dele por conta de tanta agressividade e gritaria.

 

O estopim foi quando saí para fazer compras com ele e deu um escândalo tão grande porque eu queria comprar algo que ele disse que não precisava, que larguei tudo pra trás e vim embora sozinha. Cansei de ser humilhada por esses descontroles dele. Eu não passo mais por isso, e se na próxima sessão ele gritar, saio e deixo ele falando sozinho.

 

Segue aparentemente muito nervosa: Já tentei muitas vezes discutir com ele, pra não precisarmos estar aqui e chegarmos a este ponto, sobre como ele me trata, como trata os nossos filhos e sobre o futuro da Empresa, preciso continuar minha vida. Eu também errei muito...

 

Após ouvi-la, acolho sua fala e pergunto sobre questões relacionadas a reconhecimento dos papéis de pai e mãe, de marido e mulher. Ela me diz que há muito tempo o papel de marido e mulher já havia se perdido e que se sentia uma funcionaria da empresa dele. Seguimos conversando mais e explorando os papéis e o que entendia sobre as responsabilidades de cada um.

 

Segue a sua fala: Sabe qual é o meu BATNA aqui Sabrina?

 

Eu digo: Ninguém melhor do que você para me dizer!

 

Ela continua: É que apesar de hoje não estarmos mais todos juntos vivendo debaixo do mesmo teto, que haja respeito e que acima de tudo não haja segredos entre nós que possam nos prejudicar.

 

Conversamos mais um tempo sobre que ela entendia por respeito, sobre a empatia, e a importância da qualidade e da clareza na comunicação entre eles.

 

Fomos caminhando para o final dessa sessão, ela mencionou sobre o aniversário da filha mais nova que seria naquele final de semana, eu a agradeci pela presença e ela me agradeceu pela escuta, e disse que não tinha nada para esconder do Sr. B em relação ao que conversamos ali em sessão privada.

 

Por volta de dez dias depois nos reunimos em sessão conjunta, todavia, dessa vez adentram para a sala de mediação somente a Sra. A e o Sr. B, os advogados não estavam presentes. Cumprimentamos-nos e iniciada a mediação, relembro sobre algumas regras do procedimento.

 

Pergunto quem gostaria de iniciar a fala em nossa sessão e logo o Sr. B pede a palavra e a Sra. A concorda.

 

Sr. B: Bom, eu só gostaria de iniciar dizendo que final de semana passado foi o aniversario de 8 anos de nossa filha caçula e que pra mim foi uma noite muito agradável e que me deixou muito reflexivo. Fiquei olhando para todos que estavam lá e pensando em tudo o que vivemos ao longo desses anos, mesmo com todos os erros, percebi que acertamos muito também.

 

A Sra. A emocionada, somente gesticula positivamente com a cabeça.

 

E o Sr. B prossegue: Então... não tem como voltar no tempo, mas eu acho que a gente pode conseguir se ajudar.

 

Logo, a Sra. A de modo aparentemente amistoso o interrompe e diz:  Eu acho que já passou da hora “B”, hoje estou doente e acredito que você também deva estar. Eu preciso que você nos respeite e nos deixe viver em paz e eu sei que você também quer encontrar essa paz em nós, nós nunca deixaremos de ser uma família. Eu não consigo acreditar que precisamos continuar vivendo nessa guerra.

 

Sr. B: Ok, eu me preparei para uma proposta com relação a convivência com os meninos, trouxe uma planilha para discutirmos sobre os valores dos alimentos e sobre como vai ficar o destino da Empresa que você administra, mas antes disso tem um assunto que eu gostaria de tratar com você antes, e que Deus me ajude.

 

Nesse momento o Sr. B me olha, suspira fundo e diz: Que difícil...

 

Peço-lhes a palavra, agradeço pela confiança e importância da criação de um ambiente amistoso, honesto e de contribuição voluntária de cada um, resumo contextualizando sobre todas as informações que trouxeram e devolvo a palavra ao Sr. B, que em tom de voz alto diz:

 

Então... sem rodeios, coragem... “A”, olha eu sou gay! Pronto! Eu sou gay, quero dizer sou bissexual! Eu sou bissexual e inclusive, uma vez já até me vesti de dragqueen em uma noite de festa com amigos! E é por isso que vocês não me respeitam, por isso não consigo mais ter autoridade. Vocês precisam me respeitar do jeito que eu sou, sou bissexual, e há alguns meses não estamos mais juntos, posso não ser mais seu marido, mas não deixei de ser pai por isso!

 

A Sra. A chorando e ao mesmo tempo sorrindo: Querido, eu já sabia disso há muitos anos, eu só nunca soube como lidar com isso, e fui levando a vida, e também sem te contar que eu sabia, e te digo mais, não há respeito entre nós não porque você é bissexual, mas porque você é um estúpido e grosso mesmo com todos nós. O fato de você sempre bater a mão no peito para dizer que é o homem da casa, que construiu tudo sozinho, e sempre querer as coisas somente do seu jeito egoísta e autoritário, tornou nossa convivência insuportável.

 

E prossegue: Hoje, o fato de você não ter o respeito dos seus filhos, embora eu ache sim que eles devam te amar muito, é porque talvez você esteja cego e perdido dentro de você mesmo. Que dizer, nós, porque eu também me perdi no meio disso tudo. Eu errei feio demais com todos vocês também.

 

Em seguida, o Sr. B, perplexo, mais que depressa: Como assim que você sabia?!

 

Sra. A, sorrindo e em tom sereno: Estava mais do que na cara há muito tempo, muita gente sabe. Sinto muito.

 

Sr. B: Os meninos sabem?

 

Sra. A: Nunca conversamos sobre isso, mas acho que sim.

 

O Sr. B, sorri alto e diz: Ai, ai, ai, parem o mundo que eu quero descer!, e suspira fundo.

 

A Sra. A, ainda com um sorriso: “Tenho que confessar que estou muito aliviada porque estamos conversando sobre esse assunto. Não se preocupe com isso mais, preocupe-se em dar a atenção de pai que eles precisam, sua figura é muito importante e indispensável, mas respeite-os, eles estão crescendo e a cada dia mais precisam de nós. Tenho certeza de que consequentemente irão te amar e te respeitar a cada dia mais. Não posso criar esses meninos sozinha. Me ajude! ”.

 

O Sr. B, se diz perplexo e inicia inúmeros pedidos de desculpas. A Sra. A, pede desculpas por várias questões também e diz que acredita que podem ser melhores do que aquilo que se tornaram e que o respeito devia começar por eles mesmos.

 

Eu intervenho e mais uma vez agradeço muito pela confiança depositada em mim e no procedimento. Resumo novamente sobre as informações que trouxeram e conversamos sobre o que estava sendo construído até aquele momento.

 

Após, Sra. A e o Sr. B. chegaram a um denominador comum sobre como funcionaria as questões da convivência e também combinaram de saírem todos juntos pelo menos uma vez por mês.

 

Saíram juntos dessa sessão combinando de aproveitarem o ensejo e já irem tomar um café, pois havia muita conversa para colocar em dia.

 

*Sabrina Nagib é advogada não adversarial e consultora jurídica. Mediadora de conflitos no âmbito judicial credenciada pelo TJMG (2014), e mediadora de conflitos no âmbito privado certificada pelo ICFML- Instituto de Certificação de Mediadores Lusófonos (2016). Pós-graduada em Direito Público pela PUC-MG. Mestranda em Gestão da Educação Superior pela Universidad de Ciencias Empresariales y Sociales (UCES), em Buenos Aires/Argentina, acreditado pelo CONEAU, Resolução Nº 332/11. Membro da Comissão de Mediação e Conciliação da OAB- MG. Mediadora cadastrada em Câmaras Privadas no Brasil, tais como: CABH, CAMES, CCMA-MG e Instituto Alleanza. Palestrante e professora de cursos que envolvem temáticas que perpassam a área dos Meios Adequados de Resolução de Conflitos. Membro atuante do Grupo de Estudos de Mediação Empresarial Privada do Comitê Brasileiro de Arbitragem- GEMEP | CBAr. Membro do Comitê Brasileiro de Arbitragem (Cbar). Membro associada ao IBDFAM- Instituto Brasileiro de Direito de Família. 

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