E a sua comunicação? Como anda?

02/11/2020

 

A vida não anda fácil para ninguém, mas será que precisamos torná-la tão difícil? Ultimamente, vem me chamando atenção a quantidade de comentários negativos sobre política, economia, educação, saúde etc. que as pessoas proferem ao longo do dia. E os comentários nas redes sociais? Esses merecem destaque pela sua especial violência e desrespeito. Se você acompanha este blog, certamente considera o diálogo respeitoso e adequado algo, no mínimo, importante. Pois é. Por isso, caro colega, eu lhe pergunto: e a sua comunicação, como anda?

 

Quem já não ouviu esta frase: “casa de ferreiro, espeto de pau”. Você deve estar pensando: “é, grande verdade!”. Quantas vezes, nós que, em tese, estamos “preparados” para nos comunicarmos, metemos os pés pelas mãos? Lembremos dos famosos julgamentos, um tipo de comunicação alienante que desumaniza a fala, nos afasta do outro e nos impede de nos reconhecermos como semelhantes. Quem não faz? Outra: quantas vezes estamos realmente atentos à fala do outro e compreendemos o que foi dito? Somos capazes de não fomentar raiva e irritação em uma discussão, apenas colocando o nosso ponto de vista, sem tentar convencer o nosso interlocutor de que estamos certos? Ah! Essa, eu duvido! Afinal, quem nunca?

 

A verdade é que, tecnicamente, a comunicação é incrível, uma verdadeira arte. As ferramentas, se bem aplicadas, proporcionam um diálogo produtivo, inteligente e eficaz. Falar sobre comunicação, dar aula sobre o tema. Todo esse universo é maravilhoso! Agora, meu(minha) amigo(a), quando se trata da prática, ali no dia a dia, como, por exemplo, conversar com o seu filho adolescente, terminar uma relação, dissolver uma sociedade empresária com um grande amigo de anos... Aí o buraco é mais embaixo.

 

A visão fica turva, as emoções misturam-se e as palavras saem, ou seja, pulam como sapos de nossas bocas. E aí foi! Babau! Quando menos esperamos estamos envolvidos em uma baita discussão sem saber como tudo começou. Mas como? Estudamos tudo sobre esse tema. Ou quase tudo...

 

Por isso, a dica que dou a mim mesma e espero que seja útil para você: esteja atento! Preste mais atenção nas palavras que utiliza, escute o outro, esteja presente naquela conversa. Não pense na argumentação que irá proferir após a fala. Concentre-se! Isso não é perda de tempo e sim ganho de tempo. Afinal, você só precisará escutar uma vez. Todos os esclarecimentos que precisar poderão ser feitos ao longo da fala; perguntas pertinentes e adequadas que poderão colocar um ponto final ou, ao menos, um bom ponto e vírgula naquela conversa. Os mal-entendidos diminuirão e, provavelmente, você sairá com novas reflexões ainda não pensadas.

 

Como tudo nesta vida, a comunicação é um exercício. Quanto mais praticamos, melhor iremos nos comunicar. Antes que você pergunte: não se comunicar para evitar um conflito não é uma saída. Ao contrário, esse comportamento apenas cria uma aparente solução para o tempo presente. É como um escapamento de gás: não há cheiro, tampouco cor, mas, se acendermos um pequeno fósforo, vai tudo pelos ares. Normalmente, as explosões são permeadas de falas com um tom acima, lágrimas e muita mágoa. E, provavelmente, nos arrependeremos pelo resto de nossas vidas pelo modo como nos comportamos.

 

Se estiver muito nervoso(a), não fale nada. Deixe a conversa para uma próxima oportunidade. Respire! A respiração é fundamental nesses momentos, mas quase sempre nos esquecemos dela.

 

Escute, escute, escute. Trata-se de um exercício diário e nada fácil. Segundo a psicóloga Freda S. Sahtre-Eldon, absorvemos apenas metade do que é dito, metade do que ouvimos e lembramos de metade do que absorvemos. Se ela estiver certa, isso significa que, durante uma conversa comum, você absorverá 12,5% do que é dito. Está chocado(a)? Pois é, por isso a necessidade de nos conectarmos com o outro e estarmos presentes. Assim, podemos minimizar e esclarecer, desde logo, os mal-entendidos.

 

E, por fim, não desista de se comunicar. Nós somos seres gregários, ou seja, precisamos uns dos outros para sobreviver. Ouvir novas opiniões e pontos de vista pode ser incrível. Não tenha medo do novo! Somos diferentes, porém complementares. O dia em que, verdadeiramente, entendermos isso quase todos os nossos problemas cairão por terra.

 

No final das contas, a única coisa que dá significado às nossas vidas e produz felicidade são os relacionamentos saudáveis e prazerosos com outros seres humanos.

 

 

* Úrsula Freitas, advogada colaborativa e mediadora de conflitos, mediadora, professora e supervisora do CBMA-Centro Brasileiro de Mediação e Arbitragem, professora e supervisora do Mediação Brasil, mediadora da Câmara de Mediação da OAB/RJ, criadora do profeta CUCA-Como Unir com Ação, que tem por objetivo chamar a atenção da sociedade para a importância da comunicação e implementar ferramenta de prevenção e solução customizadas a cada cenário.

 

 

 

 

Compartilhar no Facebook
Please reload

Siga
Procure por  assuntos:
Please reload

  • Facebook Social Icon

© 2017 por Ana Kucera